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Histórias da Alma

A vida é apenas uma passagem, e os momentos vividos, sejam bons ou maus, são necessários para o nosso crescimento, mas se deixarmos que seja o AMOR a guiar sempre as nossas atitudes, pensamentos e vontades, a Alma viverá FELIZ

Histórias da Alma

A vida é apenas uma passagem, e os momentos vividos, sejam bons ou maus, são necessários para o nosso crescimento, mas se deixarmos que seja o AMOR a guiar sempre as nossas atitudes, pensamentos e vontades, a Alma viverá FELIZ

Sab | 26.05.18

Um Best-Seller na prateleira ..

Maria Grace

 

Domingo à Tarde

 

    Sentada em frente ao computador, Guida pensava na melhor forma de iniciar o seu segundo livro.

      O primeiro,  "Crime, disseram eles"  tinha sido um Best- Seller. Uma proeza que nem sonhava conseguir. Por isso, aceitou o convite da sua editora, quando lhe perguntou se estava interessada em escrever outra obra. Mas a inspiração não estava a ser sua amiga, pois nem uma linha ainda tinha escrito. E já tinham passado duas semanas.

     Estava a iniciar o primeiro capítulo " Numa tarde chuvosa de Domingo...", quando tocam à porta.

    Levantou-se calmamente, e foi ver quem era. 

     - Tu? - disse Guida, mostrando nitidamente que esperava qualquer pessoa, menos a que se encontrava diante de si. 

   - Olá, Guidinha! Como estás? - cumprimentou a indesejada visita.

 

Domingo à Tarde

 

    Raul tinha sido seu companheiro, durante dez longos anos. Raramente o via, a não ser quando se lembrava de lhe telefonar a pedir dinheiro. Ainda se questionava, como tinha conseguido manter-se tanto tempo com aquela pessoa. Vai-se lá saber!

   O amor tem destas coisas.

    E era assim que se desculpava a ela própria. 

     Na esperança que a resposta fosse diferente desta vez, sim, porque a esperança é a última a morrer, mesmo com aquele individuo, Guida perguntou:

      - A que se deve a visita? 

      - Então, não me convidas para entrar? - perguntou Raul, ao mesmo tempo que ia invadindo a casa, sem lhe dar tempo para responder - continuas a coleccionar manuscritos?

      Não! Ela já não se surpreendia com o seu descaramento. Conhecia bem aquelas frases feitas, carregadas de cinismo. A sua falsidade. 

     - Vieste numa hora imprópria. Espero que a visita seja curta - disse Guida, manifestando um profundo desagrado com a sua presença - Mas afinal, o que é que queres?

   Sentia que não podia continuar a alimentar aquele visitante, e resolveu pôr fim à conversa, que nem sequer tinha iniciado. 

  - Precisas de quanto agora? - perguntou irritada - 50, 100, 200€? Quanto queres, para desaparecer da minha vista? 

   Já estava por tudo. Já nem se dava conta do disparate que estava a dizer.

    Mas porventura, precisava ela de pagar àquele homem para a largar... da carteira?

 

Domingo à Tarde

 

    Sim, porque o que ele desejava era apenas alguém que sustentasse os seus vicios, os seus delírios, a sua boa vida.

  E nem sabia por que ainda o ajudava.

    Nunca quisera trabalhar. Nunca foi o seu objetivo ser útil à sociedade.  Depois que abandonara a sua casa, voltara para a sua mãe, que também já não aguentava mais. Sabia-o, pois a senhora contatava-a diversas vezes, para desabafar. Era um autêntico "play-boy".

   E o que a irritava mais era a sua falta de vergonha. Acreditava realmente que todos tinham obrigações para com aquela pessoa. Uma, porque o tinha posto no Mundo, e ela,.. Bem, ela, porque tinha partilhado a sua cama. Que, diga-se de passagem, ele bem se deliciava. No fundo, acho que tinha sido a única coisa proveitável, naquela relação. O sexo. 

   Raul não esperava tanto, mas já que a sua ex-companheira tinha lançado um valor, aproveitou:

 

    - Hummm.... Talvez 200€, mas é só um empréstimo... Tu sabes! Isto não tem sido nada fácil. 

 

  - Sei? - perguntou ela espantada - Há! Sim, devo saber - murmurou Guida. 

 

   - Isto de começar a trabalhar, depois de muito tempo parado é difícil...("Parado? Mas o homem nunca tinha feito nada, a não ser com 17 anos, e tinha sido apenas um biscate!!!!"). 

 

   Nem o curso de arquitetura tinha finalizado, pago com muito custo, pelos seus pais. Nunca tinha dado valor ao esforço daqueles que sempre o apoaiaram. Típico!

     - E um café, não ofereces? - perguntou ele, ao mesmo tempo que a puxava para si, e lhe dava um beijo. 

Domingo à Tarde

 

      No fundo, Guida reclamava quando aquele homem aparecia, mas ele sabia que ainda mexia com o seu coração. Ou com o seu corpo. 

   Sem querer, aquele momento enfranqueceu-lhe as pernas...e a cabeça. E deixou-se levar pelas sensações de arrepio que percorreram todo o seu corpo. Adorava ser sua. Adorava estar nos seus braços quentes. As suas mãos a deslizarem pela sua cintura, tirando-lhe lentamente a roupa. Conseguia ouvir as batidas do seu coraçáo acelarado. O prazer que tinha,  e a vontade de lhe dizer "Possui-me agora". 

 

    NÂO! Ela era mais forte que essas emoções passageiras.  

    Guida afastou Raul, e disse-lhe asperamente:

       - Por favor, vai-te embora!

       - Eu sei que não é isso que queres - afirmou ele, tentando puxá-la novamente, mas sem sucesso.

    Guida sentou-se, e aguardou que ele saisse, sem proferir mais nenhuma palavra.

                                                                                                                                                                                     

Domingo à Tarde

   

Ele retirou-se, mas antes ainda lhe disse:

    - Eu volto.  

 

Raul desapareceu. Com o bolso cheio, e o sabor dos seus lábios, prova da sua fraqueza. Como fora deixar isto acontecer! 

  E ela que tinha prometido a si mesma, nunca mais contribuir para sua procrastinação. Nunca mais permitir que a seduzisse. 

     

 

      Tentou afastar aqueles pensamentos. O dia continuava. E afinal, Raul, sem saber, tinha-a ajudado a iniciar o seu segundo livro. E quantas ideias tinha!

  Sentou-se confortavelmente na sua cama, e aí ficou a tarde toda... 

 

    " Numa tarde chuvosa de Domingo, ela pensava em como inicar a história da sua vida, quando subitamente tocam á porta...."

 

Domingo à Tarde

 

                                             Continua....

 

 

 

 

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