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Histórias da Alma

A vida é apenas uma passagem, e os momentos vividos, sejam bons ou maus, são necessários para o nosso crescimento, mas se deixarmos que seja o AMOR a guiar sempre as nossas atitudes, pensamentos e vontades, a Alma viverá FELIZ

Histórias da Alma

A vida é apenas uma passagem, e os momentos vividos, sejam bons ou maus, são necessários para o nosso crescimento, mas se deixarmos que seja o AMOR a guiar sempre as nossas atitudes, pensamentos e vontades, a Alma viverá FELIZ

Seg | 30.04.18

Os desencontros da Bela Morena...

Maria Grace

     

Bela Morena

 

 

    Recorda-se de um dia alguém lhe dizer " Os homens são todos iguais, não são de confiança". A Bela Morena ouviu, digeriu e respondeu:

  - Não concordo! O meu príncipe é diferente. Ele encanta-me todos os dias, e confio nele de olhos fechados. Ele nunca foi, não é, nem nunca será igual aos outros! 

 

    Há, Bela Morena... o quão enganada estava, e quantas surpresas desagradáveis a vida lhe traria! Tantos encontros e desencontros iria ter, ao longos dos anos, acabando por a transformar numa mulher amargurada, triste e desencantada com tudo o que a rodeava. 

  Acreditava, do fundo da sua tenra alma, que aquele que a acompanhava, jamais faria promessas de amor a outra mulher que não fosse ela, mas fez. Pensava que jamais diria a outra mulher, que não a ela, que era o amor da sua vida, mas disse. Pensava que jamais confessaria a outra mulher, que não a ela, que o primeiro pensamento do seu dia era a outra pessoa, mas confessou. E tudo o que achava que nunca ia acontecer, aconteceu. Todos os sentimentos que nunca pensou vir a sentir, não ela, sentiu.....E não conseguiu, naquele momento, fazer o que melhor sabia, desligar-se das emoções. Não queria sentir, porque a dor era insuportável. Não queria lembrar, pois as lembranças eram insustentáveis. Não queria viver, pois respirar tinha-se tornado extrememente doloroso.

Bela Morena

 Apenas desejava fechar os olhos, e esquecer que o grande amor daquele a quem se tinha dado por completo, já não era ela. Se ao menos ele sonhasse o que a fazia sofrer! Custava-lhe estar perto, olhar para os seus olhos, acariciar o seu cabelo, e saber... mas a sua ausência era um tormento para o seu coração. 

  Sabia que aquela ângustia a matava lentamente, mas já não tinha forças para se levantar, para se erguer novamente e lutar. Compreendia que tinha de batalhar contra o poder que a arrastava para o abismo, não podia ceder à loucura que teimava em se instalar. "Mas é tão forte! Não consigo. Deixem-me estar".

      As forças do mal são mais poderosas do que imaginamos. É enorme o esforço que tinha de fazer para acreditar que iria ficar tudo bem, que iria recuperar de tamanha perda. 

Bela Morena

 

    Claro que, dia após dia, a dor vai-se tornando menor, o coração ainda pesa dentro de nós, mas já vamos sendo capazes de andar um pouco, de balbuciar um "Bom Dia" ao nosso vizinho, de ir até ao correio ver se temos alguma conta para pagar, mas ainda não conseguimos esboçar um sorriso, por mais pequeno que seja, pois qualquer movimento que fazemos, que é o nosso corpo a implorar "VIVE", a nossa mente de imediato bloqueia, respondendo "AINDA NÂO".

   A noite era uma tortura para o seu espirito, pois era quando pesava mais a solidão. Olhar para uma cama vazia, não sentir o calor de um corpo junto ao seu, que a aquecia todos os dias, principalmente quando as noites eram frias. Sentia a falta das gargalhadas em simultâneo ao ver um filme cómico, na televisão, aconchegados no edredon, ou mesmo quando faziam amor, pois lembráva-se de situações passadas, e de repente não conseguiam parar de rir. 

Bela Morena

 

    Como se costuma dizer, "Não se morre por Amor", é certo, mas a dor causada pela falta deste sentimento é capaz de provocar danos irreversíveis na alma.

    E mesmo depois da tempestade passar, fica sempre um buraco enorme no peito, uma mágoa que não nos deixa esquecer. E quando deitamos a cabeça no travesseiro, uma recordação vai sempre fazer-nos abrir os olhos,  olhar pela janela semi fechada do quarto, e pensar "Porquê, Meu Deus? Porque permitiste que ferissem o meu coração desta maneira. Porque permitiste que as minhas forças me abandonassem, na altura, incapacitando-me de lutar. Porque permitiste que me tornasse numa alma amargurada, incapaz de voltar a amar".  Eram essas as perguntas que a Bela Morena fazia a um Poder Superior, deitada na sua cama, enquanto lhe caiam largas lágrimas pelos olhos. Ainda doía. E tão cedo não ia deixar de doer. E revoltava-se por sentir, por não ser forte e desligar de tudo o que lhe fazia mal. Tinha sido uma grande decepção, como nunca antes tivera. Não sabia se seria forte, para remar contra a maré da desilusão, onde navegava. Sentia que a sua alma ia, sem destino...

 

 

Bela Morena

 

Bela Morena

   

 

 As suas perguntas nunca teriam uma resposta, mas sabia que todos os momentos, bons e maus, eram necessários para o seu crescimento. Isso era inevitável. Sentir alegria, tristeza, dor, ângustia e tantas outras emoções provocadas por diferentes situações que surgem diariamente. 

 

 

 

 Mas também sabia que durante um longo período de tempo não ia viver, mas sim sobreviver. Arrastar-se para o trabalho, porque tinha de ser. Engolir a comida, porque tinha de se alimentar, ver televisão, porque tinha de se distrair, embora o seu olhar estivesse ausente, e a sua atenção fosse indiferente às imagens que passavam. Não se arranjar, nem tão pouco se pentear, porque não encontrava razões para se embelezar, pois achava que ela própria não era motivo suficiente.

 

 

 

     Tinha perdido um amor, e com ele a sua total auto-estima. 

 

Bela Morena

 

 

     A Bela Morena simplesmente deixava-se levar pela correnteza da vida. Da sua amarga vida. Até conseguir ver uma luz que a elevasse novamente para a felicidade. Se esse dia estava distante ou não, ignorava por completo, mas até lá ia continuar a viver...Um dia de cada vez. 

 

Bela Morena