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Histórias da Alma

A vida é apenas uma passagem, e os momentos vividos, sejam bons ou maus, são necessários para o nosso crescimento, mas se deixarmos que seja o AMOR a guiar sempre as nossas atitudes, pensamentos e vontades, a Alma viverá FELIZ

Histórias da Alma

A vida é apenas uma passagem, e os momentos vividos, sejam bons ou maus, são necessários para o nosso crescimento, mas se deixarmos que seja o AMOR a guiar sempre as nossas atitudes, pensamentos e vontades, a Alma viverá FELIZ

Qui | 28.06.18

Um Artista na Família...

Maria Grace

Artista

 

         Todos nós nascemos com um Dom. 

              Uns sabem cantar..

                  Outros conseguem compor música, e tocá-la como ninguém....

                        Alguns têm o dom da escrita, de brincar com as palavras...

                             E outros conseguem fazer verdadeiras obras de arte, com um pincel...

           

  

Artista

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

        Por acaso, eu posso dizer, com orgulho, que tenho um artista em casa. O José tem o dom da pintura. Dêem-lhe uma tela e um pincel, e fica horas debruçado sobre o quadro, a aperfeiçoar, o que para mim, já está perfeito. 

 

   Sempre preferiu as paisagens coloridas ou sombrias,  aos retratos de pessoas, aos rostos pormenorizados. Olhos esguios, narizes empinados, cabelos despenteados. 

Artista

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

 

 

   Definitivamente, uma bela paisagem.

     O campo, o mar, as árvores. Porque nas paisagens, o perfeito evidencia-se num mar agreste, numa montanha rochosa, repleta de declives. 

 

Artista

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

      No que toca à pintura, o José sempre foi muito perfeccionista. Até parece que o estou a ouvir: 

     - O segredo está nos acabamentos. 

 Sim, José, eu cá acho que o segredo está no Amor que colocamos em cada pincelada, em cada frase que escrevemos, em tudo o que nos dá prazer.

 

     - São três da manhã!!! Não vens deitar-te? - perguntei eu muitas vezes, quando estava a meio de um quadro, que embora mais que terminado, para ele faltava sempre qualquer traço.

 

  E voltando para a cama, ainda o ouvia a falar "Falta algo aqui, que não estou a ver o que é!"

 

 

Artista

 

 

      

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

    O artista da casa reproduz de tudo um pouco. A sua especialidade são as pinturas a óleo, e a carvão. 

 

      Claro que, quando nos conhecemos revelou-me o seu dom, e eu pedi-lhe para mostrar-me o seu talento, Foi a minha primeira encomenda.  Um retrato a carvão, com base numa fotografia minha, quando tinha quinze anos. 

 

Artista

Artista

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

     

 

 

 

 

 

 

 

 

 

       Convenceu-me de imediato.

     Tanto que passado um ano e meio, estávamos casados. 

 

          - José, o que achas de oferecer-me uma prenda, pelo nosso casamento! - lancei eu o isco, já com uma paisagem que tinha em mente, para a parede do nosso quarto. 

 

     E nasceu, passados uns meses a pintura mais bonita que tinha feito, até então, pelo menos para mim.

     Uma montanta, coberta de neve, iluminada por uma lua redonda e viva. 

 

 

 

Artista

 

 

 

                 - Então, e o meu presente de casamento? - perguntou ele.

           Ao que eu respondi prontamente, com um sorriso nos lábios:

                 -  É a nossa filha, que vai nascer daqui a dois meses.

 

     Muitos dos quadros feitos, ao longo dos anos, foram vendidos, outros oferecidos, mas há sempre um ou outro que marca, ou pela luta que deu pintá-lo, ou pelo prazer, e o artista não consegue separar-se da sua obra. 

  Foi o caso do "Cristo de São João da Cruz", de Salvador Dali. Ainda hoje está connosco.

   É a sua maior criação. 

Artista

 

 

 

 

  Obrigada José, por teres preenchido os espaços vazios, das paredes da nossa casa, com o teu enorme  talento. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

Qua | 27.06.18

10 Coisas para fazer neste Verão...

Maria Grace

Verão

 

Boa Tarde.

 

Novidades!!!!

 

    Fui convidada pela blogger Peixe Frito para participar num desafio, que achei bastante interessante e engraçado. Anunciar 10 coisas que vou fazer este Verão. Se fossem apenas 10, minha querida Peixe Frito, dava-me por muito feliz.

   E desde já, agradeço imenso o convite, podendo assim interagir um pouco mais, nesta comunidade, que eu tanto gosto.

 

Regras:

  1. Agradecer a quem o nomeou, fazendo uma ligação para o blogue em questão;
  2. Fazer uma lista de dez coisas que gostaria de fazer - e que sejam exequíveis - este Verão;
  3. Nomear cinco bloggers para fazer o mesmo. 

 

Vejamos então o que vou eu fazer este Verão:

 

 

1       Aproveitar para descansar bastante, na cama, no sofá, no chão, em qualquer sítio onde possa esticar as pernas.

 

 2    Passear na praia com a família e o cão, que adora correr na areia. Tem é que ser às 7 horas da manhã, quando a praia ainda está vazia. E claro, aproveitar o passeio até à Costa da Caparica, para comer uma bola de berlim de chocolate e um galão, num café em frente ao mar.

 

3     Acabar ou pelo menos adiantar, o romance que estou a escrever.

 

4      Remodelar algumas zonas da casa, desde o meu quarto, que estou a pensar em alargar, para termos mais espaço, colocar azulejo na cozinha e pintar a varanda, que geralmente é pintada de 2 em 2 anos. Eu falo como se fosse eu fazer. Ahahahah!!! Eu vou ver fazer, depois só tenho é de limpar e arrumar. Que no fundo é o que adoro fazer. Mudar as coisas de lugar, pois isso deixo todo o mundo doido lá em casa.

 

5     Ver muitos filmes de terror (ADORO) deitada no sofá, com os aperitivos de queijo ao lado. Que maravilha de tarde!

 

6     Almoçar fora, nos Fins de Semana, depois de um excelente dia de praia, tomar um banho morno, e fazer uma sesta. É ótimo!

 

7     Pretendo dar muitos mergulhos, na praia.

 

8      Aproveitar todos os momentos para estar com quem amo, marido e filha, e claro o pastor alemão que já está comigo há 4 anos.

 

9      Fazer caminhadas à noite, naqueles dias em que ainda estão uns 30 graus, às 21.00horas.

 

10     E por último, meditar bastante sobre variadas coisas, que muitas vezes passam ao lado por excesso de preocupações, de trabalho, de falta de tempo para nós.

 

E agora…

     Os nomeados para este desafio são…..(suspense)

 

Di

A Desconhecida

Mónica Reis

Célia

Vanshine

 

    Mais uma vez obrigada pelo convite.

    Gostei imenso de partilhar estes planos convosco.

 

 

 

 

Verão

 

Ter | 26.06.18

Dos 7 aos 70

Maria Grace

  

Sangue azul

     Sempre ouvi a minha mãe dizer que a nossa personalidade muda a cada sete anos. Eu fazia os cálculos e esperava. Sete  e sete  são quatorze, com mais sete , faz vinte e um, tenho sete  egos, e não gosto de nenhum. E esperava pela nova temporada, que só voltaria passados sete anos. 

  Resolvi pesquisar sobre esta teoria, designada como Teoria dos Setênios, que vem afirmar que a nossa maneira de ser e de estar muda a cada sete anos. Ora vejamos:

 

setenios

 

 

 

 

 

0 aos 21 anos

 

 

Setênio do Corpo

A fase do desenvolvimento do corpo físico, e o início da formação da nossa personalidade. 

 

 

 

 

 

setenios

 

21 - 42 anos

 

Setênio da Alma

 

   Podemos afirmar que nesta fase, a alma já se sente inserida numa sociedade, e capaz de fazer as suas escolhas. Saber distinguir o certo do errado, e calcular as consequências das suas ações, e os efeitos que poderão ter nos outros. 

 

 

 

     

         42 - 49

                        49 - 56

                                    56 - 63

                                                 63 - 70

 

  

   Apenas a partir dos 42 e em diante, segundo esta teoria dos setênios é que começamos a olhar para a vida de uma outra forma, mais madura e responsável.  Começamos a pensar com mais profundidade nos prós e contras das nossas decisões. Quais as consequências que poderão advir destas. É um novo ciclo, em que quanto mais próximos estamos dos últimos setênios, começamos por fim, a conseguir viver profundamente e espiritualmente.

   Claro que, conforme o historial de cada um, mais leve ou pesado, estes ciclos podem adiantar-se ou atrasar-se para o individuo. Quantos existem que têm 50 anos, e são autênticos irresponsáveis, ou podemos ver jovens de 20 anos que já demonstram uma maturidade enorme nas suas ações, na forma de falar, de ver a realidade.  

 

setenios

  

     Curiosamente é a partir dos 42 que começamos a questionar o nosso papel na sociedade, se somos úteis no nosso dia-a-dia, se somos importantes para os que convivem connosco, e como tornar as nossas relações com o próximo, melhores. Pensamos:

 " Tenho algum sonho? Serei eu capaz de correr atrás dele, de o concretizar?"

" Como está a minha relação, o meu casamento?"

" O meu relacionamento com os meus filhos é bom? Ou estou a cometer algum erro, que não identifico?" 

  Claro que, mediante a historia de vida da alma, poderão ser estas perguntas a serem feitas, ou outras diferentes, mas todas têm uma mesma base, que considero ser a importância do ser humano na sociedade onde está inserido, e a sua ligação com as outras almas. 

  E se analisarmos bem, ano por ano, o nosso percurso de vida, esta teoria faz sentido. 

  O meu novo ciclo iniciou há uns dias atrás. Agora é aguardar pelas mudanças, pelos novos resultados que hão-de vir com as novas ações, com novos registos.

 Com os novos olhares da alma, para o mundo. 

setenios

 

 

 

Sab | 16.06.18

Mundo Virtual....

Maria Grace

 

Relações Virtuais

 

 

     No fundo eu gostava de ter seguido Psiquiatria, para ter a capacidade de entrar na mente da pessoa que estaria sentada à minha frente, e conseguir decifrar certos comportamentos e atitudes. Ter a habilidade de diferenciar uma verdade de uma mentira, apenas pelas palavras usadas, pelo olhar, pelos gestos. Mas a maldita Matemática tramou me, embora tenha a noção que é necessária em algumas áreas.
    Isto das realidades virtuais, das relações por tela, das amizades on-line tem muito que se lhe diga.
    Quando todos se intitulam de amigos, mesmo não se conhecendo de lado nenhum, até aceitamos, e vamos partilhando ideias e brincadeiras. Mas quando começamos a ouvir a palavra Amor, aí a coisa muda de figura. 

    Uns dizem ser possível amar alguém que não se conhece pessoalmente, alguém que nunca tocámos, que nunca cheirámos, que nunca tivemos a oportunidade de olhar nos olhos. Outros, apoiando-se em factos concretos, na ciência cognitiva afirmam que não. É impossível uma pessoa amar outra, sem existir um contacto mais próximo. Por acaso, gostei imenso de ler um texto de Bruno S. da Silva , Especialista em Linguagem Corporal e Expressões Faciais, que afirmava precisamente essa impossibilidade. Para os curiosos fica aqui o link.


http://a-vida-nos-ensina.blogspot.com/2014/04/amor-virtual-e-possivel-amar-alguem.html?m=1.

 

E para apoiar esta teoria, vem o escritor Ricardo Valadas Fernandes afirmar:


"O que falta no amor à distancia é, essencialmente, o corpo do outro, o ingrediente principal que nos permite fazer parte de uma vida a dois, a vivência das emoções aqui-e-agora e toda a magia da comunicação não verbal, característica de uma intimidade partilhada, que permite a dança dos olhares cúmplices, dos abraços ou do aconchego, dos beijos e dos toques – ainda mais importante para aqueles para quem é difícil verbalizar os seus sentimentos”

 

Relações Virtuais

 


   Sinceramente, ainda não cheguei a nenhuma conclusão. Mas faz sentido quando dizem que é improvável amar alguém, quando não conhecemos o seu verdadeiro eu, quando somente temos o que a pessoa nos apresenta, como sendo o seu eu.
 

 

 

 

 

 

 

      Mas à parte de todas estas teorias, o que é certo é que isto das amizades por tela, que muitas das vezes se confundem com amores de perdição, já arruinou muitos casamentos, pois não é só o contato fisico de um homem ou mulher, com a sua, ou seu amante que magoam.

   As Palavras têm talvez um poder superior, dentro da cabeça de alguém. Mais até que dois corpos entrelaçados, suados, e ofegantes. 

  De acordo com a psicóloga Ana Olmos, formada em psicologia na Universidade Católica, de São Paulo, no Brasil “O mundo virtual é apenas mais um fator que influencia na vida das pessoas. O veículo em si é fantástico, mas o uso que você fará dele vai depender do seu mundo mental”.  

  Ora aí está! Mundo Mental! A palavra chave que pode justificar muitas confusões que ocorrem nas redes sociais. Que explica porque muitas vezes vamos mais além, do que supostamente deveríamos ir.

Relações Virtuais

 

     A dizer, o que não deveríamos dizer.

 

    E quando caimos em nós, e constatamos que já magoámos alguém, que já fomos contra todos os nossos principios mais valiosos, pensamos...

 

" Porque não vi como estava o meu Mundo mental, antes de...". 

   

 

 

 

      As redes sociais são sem dúvida causadoras de conflitos entre os casais, que discutem e até mesmo separam-se, por causa de ciúmes ou traição. 

 

Relações Virtuais

 

   Há quem diga "Palavras leva as o vento".  Não, amigos. As palavras nunca são levadas pelo vento, pois têm peso. Cravam se na mente, no coração. Nunca são ignoradas por quem as ouve, ou por quem as lê. 

 

Relações Virtuais

 

 Mas não nos afastemos do tema principal.

Relações Virtuais!

 

 

Possíveis ou Imaginárias?

 

Venha o Mark Zuckerberg, e escolha!

 

 

 

 

 

 

 

 

    É um trabalho penoso tentar entender a razão que leva muitos homens e mulheres, a procurarem numa tela, algo que lhes falta. Como acreditam que vão conseguir preencher os seus vazios, ou satisfazer os seus fetiches, apenas com palavras escritas.

 

    Porventura, não será mais romântico ouvir "Eu Amo-te", acompanhado de um toque de uma mão na outra, ou de um beijo demorado, do que ler? 

      

Relações Virtuais

   

     Pessoalmente, considero que quanto mais a tecnologia evolui, mais as pessoas se vão afastando umas das outras. Infelizmente. 

   

 

     Prisioneiros de um PC, de um Tablet, ou um Telemóvel, começam a perder aquela sensação boa de partilha, em muitos aspetos. Passear em família é uma das melhores coisas que existe. Estar com quem amamos, saborear momentos de prazer, que ficam para sempre gravados na nossa memória. Mas lamentavelmente, a doença das redes sociais, consegue ser mais forte em algumas pessoas, causando um afastamento de muitas famílias, pois as prioridades são trocadas, ainda que,  por vezes, inconscientemente.  

 

Relações Virtuais

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

     No fundo, acredito que mais cedo ou mais tarde, aqueles que foram mais fracos, e deixaram-se influenciar por um monitor, por umas palavras, caiam em si, e vejam o tempo que perderam, longe de quem é verdadeiramente importante. 

  Que consigam de alguma maneira, organizar o seu Mundo Mental.

 

Relações Virtuais

 

Qui | 14.06.18

E tudo começou contigo...

Maria Grace

E Tudo começou contigo

 

 

   E Tudo Começou Contigo” conta a história de Isabela e Raul, duas personagens com personalidades completamente diferentes.

    Separados há dois anos, após dez anos de vida em comum, nunca deixaram de amar-se, mas a irresponsabilidade extrema de Raul, impossibilita qualquer entendimento entre ambos.

  Um processo de herança conflituoso, e uma gravidez inesperada, vão provocar inevitavelmente grandes mudanças, no quotidiano dos dois.

   Será que tais episódios vão uni-los novamente, ou afastá-los ainda mais?

   É ir acompanhando ...Para ficar a saber!

     

       Fica aqui o meu convite, para entrarem no Projecto Best-Seller. 

 

 

E Tudo começou contigo

 

E Tudo começou contigo

 

 

 

Sab | 09.06.18

A Cigarra Entalada....

Maria Grace

 

Fobia

 

    Hoje resolvi partilhar mais uma das minhas histórias caricatas, que não lembram a ninguém. E esta, devo desde já alertar, que não é aconselhável a pessoas sensíveis. Custou-me escrevê-la, nem imaginam, mas a vontade de partilhar este episódio foi mais forte.

Todos nós temos as nossas fobias, essa é uma verdade indiscutível. E a minha, como já devem ter percebido é a tudo o que voe e faça "Bzzz-Bzzz". E claro, como o medo é tão grande, parece que estes lindos bichinhos pressentem, e tendem a vir ter comigo. 

  Depois de um dia de trabalho, às 4.00 horas da tarde, (nesse dia saí mais cedo) estava eu a dirigir-me para o carro, estacionado no parque do Pingo Doce, ansiosa para chegar a casa, quando já ao longe, pareceu-me ver um objeto não identificado, na janela do lado do condutor. Pensei que pudesse ser sujidade, mas quando cheguei perto um grito mental de terror  "O QUE É ISTOOOOO" . ..

Fobia

  Uma "coisa" horrenda no meu carro, ENTALADA, no vidro da janela, com metade do corpo para dentro, e a outra para fora. E o pior...

  Os Olhos...

  Ai os Olhos....

 

  Aqueles olhos grandes.... Que nunca consegui esquecer.

  O Olho que tinha ficado do lado de fora, a olhar para mim, e o resto do corpo a espernear.

E eu sem saber que raio de inseto era aquele.

E já eram 4.20 horas.

E eu ansiosa para chegar a casa....

Tudo a ajudar....

   De onde aquele bicho tinha saído? Ou será que queria entrar?

Fobia

 

 Não conseguia parar de olhar para o inseto, na esperança que este saísse dali, apenas com os meus olhares, mas o pobre do bicho estava entalado, por isso escusava de estar a esforçar a vista. Ele não ia mesmo embora, a não ser que eu o tirasse. 

  Mas claro, que essa hipótese estava fora de questão. Alguma vez eu ia tocar naquela "coisa"???? Não me parecia. 

  Lembrei-me de telefonar ao marido, que ainda estava a trabalhar, mas tinha noção do ridículo que era "Olha! Vem ter comigo ao meu trabalho, para me enxutares um bicho da janela". 

É certo que eram apenas 15 minutos de carro, mas..... É melhor não!

 

 

 

     Foi quando tive a feliz ideia de ir ao Pingo Doce pedir ao segurança, que me ajudasse a colocar aquele amigo fora do meu carro.

  Já eram quase 5 horas da tarde. E eu ainda ali. 

  Toda contente, lá me dirigi ao supermercado, e fui falar com a funcionária que estava no apoio ao cliente.

  - Boa tarde! Pode ajudar-me? Tenho um inseto esquisito, entalado no vidro do meu carro. Será que alguém poderá tirar-mo de lá? - perguntei eu.

  A funcionária esboçou um sorriso para a colega que estava ao seu lado, e chamou o segurança que se encontrava ali perto:

  - Miguel, podes chegar aqui, por favor? - Esta senhora diz que tem um bicho entalado no vidro do carro. Podes ir lá ver?

 - Mas é claro que sim - prontificou-se o senhor, olhando para mim - vamos lá pôr a voar esse bicharoco!

   Ao chegarmos ao automóvel, ele olhou para o inseto, ainda preso, pegou numa folha de um panfleto que estava ali perto e pediu:

  - Agora, eu vou agarrar o intruso, e a senhora abre o vidro, para eu o puxar para fora, pode ser?

Fobia

  Eu olhava incrédula para o homem. Será que não lhe passava pela cabeça que ao abrir a janela, o bicho podia entrar para dentro do carro?

Bem dito, bem acontecido. 

Abri a janela. 

O insetozinho enfiou-se logo para baixo do tapete, do meu lado. 

  O segurança olhou para mim, encolheu os ombros e disse:

- Fugiu! 

 

 

 

Fobia

    

 

     Ainda tentou tirá-lo, mas quanto mais mexia, mais o inseto se enfiava para dentro. 

 - Não o estou a ver. Acho que pode ir sossegada até casa! - disse o segurança.

 - Eu?...... Entrar com esse bicho? Acho que não. Vou esperar que o marido saia do trabalho, para trocarmos de carro. 

 

     Telefonei ao José.

      - Sim! Eu sei, estás a trabalhar!...... Não! Não me importo de esperar 1 hora aqui! ....... Claro, não podes dizer aos teus colegas que vens tirar o bicho do carro! ........Sim...Eu compreendo! 

   Encostei-me do outro lado do carro, resignada. Sózinha com aquele bicho, é que não ia. Imagina que ele resolvesse sair do seu esconderijo, e me atacasse. Era desatre certo. 

 Mas não esperei muito. Passados 15 minutos, aparece o José.

 Zangado, pois estava com um trabalho importante em mãos.

   - Assim não! Eu nem conto isto a ninguém! - reclamou ele. Mas tinha vindo mais cedo. 

   E é esta a minha história da Cigarra (depois descobri que inseto era), que deve ter passado também um mau bocado, entalada na janela. 

  O que eu temia aconteceu. No dia seguinte, o marido levou o carro para o trabalho, e no caminho, o inseto saltou para o tabelier.

   Por sorte, ele tem sangue frio, e conseguiu enxutá-lo para fora. Se fosse comigo, de certeza que àquela hora, não estava a caminho do trabalho, mas sim, a caminho do mecânico. 

 

Fobia

 

Qui | 07.06.18

"Sem ti correrá tudo sem ti"

Maria Grace

 

 

Poema

 

 

 

 

«Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém...

Sem ti correrá tudo sem ti.»

 

 

Se te queres matar, porque não te queres matar?

Ah, aproveita! que eu, que tanto amo a morte e a vida,

Se ousasse matar-me, também me mataria...

Ah, se ousares, ousa!

De que te serve o quadro sucessivo das imagens externas

A que chamamos o mundo?

A cinematografia das horas representadas

Por actores de convenções e poses determinadas,

O circo policromo do nosso dinamismo sem fim?

De que te serve o teu mundo interior que desconheces?

Talvez, matando-te, o conheças finalmente...

Talvez, acabando, comeces...

E de qualquer forma, se te cansa seres,

Ah, cansa-te nobremente,

E não cantes, como eu, a vida por bebedeira,

Não saúdes como eu a morte em literatura!

 

Poema

 

Fazes falta? Ó sombra fútil chamada gente!

Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém...

Sem ti correrá tudo sem ti.

Talvez seja pior para outros existires que matares-te...

Talvez peses mais durando, que deixando de durar...

 

Poema

 

A mágoa dos outros?... Tens remorso adiantado

De que te chorem?

Descansa: pouco te chorarão...

O impulso vital apaga as lágrimas pouco a pouco,

Quando não são de coisas nossas,

Quando são do que acontece aos outros, sobretudo a morte,

Porque é a coisa depois da qual nada acontece aos outros...

 

Primeiro é a angústia, a surpresa da vinda

Do mistério e da falta da tua vida falada...

Depois o horror do caixão visível e material,

E os homens de preto que exercem a profissão de estar ali.

Depois a família a velar, inconsolável e contando anedotas,

Lamentando a pena de teres morrido,

E tu mera causa ocasional daquela carpidação,

Tu verdadeiramente morto, muito mais morto que calculas...

Muito mais morto aqui que calculas,

Mesmo que estejas muito mais vivo além...

 

Depois a trágica retirada para o jazigo ou a cova,

E depois o princípio da morte da tua memória.

Há primeiro em todos um alívio

Da tragédia um pouco maçadora de teres morrido...

Depois a conversa aligeira-se quotidianamente,

E a vida de todos os dias retoma o seu dia...

 

Poema

 

Depois, lentamente esqueceste.

Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:

Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste;

Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.

Duas vezes no ano pensam em ti.

Duas vezes no ano suspiram por ti os que te amaram,

E uma ou outra vez suspiram se por acaso se fala em ti.

 

Encara-te a frio, e encara a frio o que somos...

Se queres matar-te, mata-te...

 

 

 

 

 

Não tenhas escrúpulos morais, receios de inteligência!...

Que escrúpulos ou receios tem a mecânica da vida?

 

Que escrúpulos químicos tem o impulso que gera

As seivas, e a circulação do sangue, e o amor?

Que memória dos outros tem o ritmo alegre da vida?

 

Poema

 

Ah, pobre vaidade de carne e osso chamada homem,

Não vês que não tens importância absolutamente nenhuma?

 

És importante para ti, porque é a ti que te sentes.

És tudo para ti, porque para ti és o universo,

E o próprio universo e os outros

Satélites da tua subjectividade objectiva.

 

 

 

És importante para ti porque só tu és importante para ti.

E se és assim, ó mito, não serão os outros assim?

 

Tens, como Hamlet, o pavor do desconhecido?

Mas o que é conhecido? O que é que tu conheces,

Para que chames desconhecido a qualquer coisa em especial?

 

Tens, como Falstaff, o amor gorduroso da vida?

Se assim a amas materialmente, ama-a ainda mais materialmente:

Torna-te parte carnal da terra e das coisas!

Dispersa-te, sistema físico-químico

De células nocturnamente conscientes

Pela nocturna consciência da inconsciência dos corpos,

Pelo grande cobertor não-cobrindo-nada das aparências,

Pela relva e a erva da proliferação dos seres,

Pela névoa atómica das coisas,

Pelas paredes turbilhonantes

Do vácuo dinâmico do mundo...

 

26-4-1926

Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa

Ter | 05.06.18

TRAIÇÂO? Não...Obrigado!

Maria Grace

Traição

        Mais uma vez a Bela Morena tinha sido apanhada na rede da traição.

     Mais uma vez tinha confiado, e tinha sido enganada.

     Mentiras, mentiras, mentiras.

    Tão bem disfarçadas na correnteza de palavras ditas “eu não tenho ninguém”, “são histórias da tua cabeça” e a principal “Eu Amo-te”. 

Traição

 

 

 

    Quantas vezes ouvia "És doida!", e saber que não era. A sua única vontade era fechar os olhos e dormir.

   Dormir para sempre, para nunca mais acordar. Apenas para não sentir. 

     Como é possível amar alguém e magoar essa pessoa? Como conseguimos dizer a uma pessoa que a amamos, e no mesmo instante fazermos declarações de amor a outra?
    Só mesmo um alguém desprovido de caráter, de sentimentos.

    Não saberá, porventura, que está a ferir alguém? Alguém que sempre esteve ali, independentemente das dificuldades da vida.      Alguém que outrora, assumiu um compromisso de amor e fidelidade.

 

 

Traição

 

Palavras, palavras, palavras.
Traição, uma palavra tão carregada de nojo, de amargura, de sofrimento. Um tiro no peito que desmancha um coração, que o faz sangrar gratuitamente.

 

 

 

 

 

    Como confiar nessa pessoa novamente?

    Como olhar nos olhos dessa pessoa, e conseguir encontrar aquele que foi totalmente nosso, mas já não é? Como?

   Era a pergunta que a Bela Morena fazia-se, vezes sem conta, até adormecer, Não conseguia responder sózinha. 

 

Traição

  Trair ou não trair, eis a questão.

  Será uma escolha, ou falta de compaixão.

Falta de sensibilidade. Falta de personalidade. Falta de decência.

Falta de honestidade. Falta de dignidade.

Falta de...CATEGORIA!

 

 

 

 

  

     Acho mesmo que é falta de caracter, ou melhor dizendo falta de tudo.

    Ninguem tem o direito de magoar o outro. Ferir brutalmente aquele com quem se partilha uma vida, uma cama, uma mesa, tudo e mais alguma coisa.

   Todas as emoções sentidas, todos os acontecimentos passados, toda uma vida. 

  Ninguém tem o direito de não ser, pelo menos um pouco honesto, e ter a integridade para dizer "ACABOU". 

Traição

   

 

   Porque a dor é tanta, ou maior do que cortar um dedo, partir um braço, ou outra parte do corpo.

 

    É uma ângustia que não sabemos onde começa, e onde acaba. 

 

 

 

 

 

 

  Uma vontade de morrer, de gritar, na esperança que todo aquele sofrimento saia para fora.

 

Mas não sai. 

 

Ainda corroi mais. 

 

    

 

Traição

 

   Pedimos socorro com a Alma, mas ninguém ajuda. É impossível alguém conseguir serenar um coração que sangra.

 Nem mesmo Deus. 

  Nada.

  Ninguém.

 

 Um sentimento de solidão, de amargura, de tristeza. E ninguém se importa. 

A desconfiança, que se tornou na nossa sombra. 

A dúvida, que virou a nossa melhor amiga, e que lentamente nos vai matando, por dentro. 

  E não conseguimos ver a salvação.

  E não conseguimos ver nenhuma mão estendida, para nos guiar. 

 

É o derradeiro.......

Traição

                                                                                      da Alma.....

Sab | 02.06.18

Poemas da minha Vida...

Maria Grace

 

Solidão

 

"Nós nascemos sozinhos, vivemos sozinhos e morremos sozinhos. Somente através do amor e das amizades é que podemos criar a ilusão, durante um momento, de que não estamos sozinhos".

Orson Welles

 

 

 

Solidão

 

 

"Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros".

Clarice Lispector

 

 

Solidão

 

"A timidez é uma condição alheia ao coração, uma categoria, uma dimensão que desemboca na solidão".

Pablo Neruda