Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Histórias da Alma

A vida é apenas uma passagem, e os momentos vividos, sejam bons ou maus, são necessários para o nosso crescimento, mas se deixarmos que seja o AMOR a guiar sempre as nossas atitudes, pensamentos e vontades, a Alma viverá FELIZ

Histórias da Alma

A vida é apenas uma passagem, e os momentos vividos, sejam bons ou maus, são necessários para o nosso crescimento, mas se deixarmos que seja o AMOR a guiar sempre as nossas atitudes, pensamentos e vontades, a Alma viverá FELIZ

Qua | 30.05.18

Hoje eu quero..Apenas partilhar..

Maria Grace

Best Seller

 

      Hoje não tive vontade de escrever grandes textos, carregados de emoções fortes, histórias da alma, ricas em ingredientes linguisticos.

    Hoje não me senti inspirada, a sentir essas sensações.

    Hoje não desejei sentir esse efeito particular, que só as linhas preenchidas de letras com vida, causam em nós. 

   Hoje quero apenas partilhar.

   A vida é feita de sonhos.... E o meu sonho é escrever um livro. 

   Um livro que chegue a todos as almas, a todas as mentes.

    Que faça o leitor se emocionar, se arrepiar, se interessar cada vez mais com o enredo, ao longo da obra. 

  Um livro que consiga se colocar no lugar de quem lê. 

   Imaginar cada cena, cada conflito, cada movimento das suas personagens, e transformá-los em capítulos. 

  Capítulos com falas, com ação, recheados de vida. 

     O meu sonho é publicar um livro. E quem bem me conhece, já me ouviu dizer tantas vezes "Não vou morrer, sem ver um livro meu, nas prateleiras de uma livraria".

  E o primeiro vai ser como eu o idealizei, e vai ter a projeção com que eu sonhei.

    Porque sem sonhos... Não há vontade.  

 

Best Seller

    

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

   

 

 

 

"Os sonhos trazem saúde à emoção, equipam os frágeis para serem autores da sua história, renovam as forças do ansioso, animam os deprimidos, transformam os inseguros em seres humanos de raro valor. Os sonhos fazem os tímidos terem rompantes de ousadia, e os derrotados serem construtores de oportunidades".

                                                                                                     Augusto Cury

  

  

  

 

 

Sab | 26.05.18

Um Best-Seller na prateleira ..

Maria Grace

 

Domingo à Tarde

 

    Sentada em frente ao computador, Guida pensava na melhor forma de iniciar o seu segundo livro.

      O primeiro,  "Crime, disseram eles"  tinha sido um Best- Seller. Uma proeza que nem sonhava conseguir. Por isso, aceitou o convite da sua editora, quando lhe perguntou se estava interessada em escrever outra obra. Mas a inspiração não estava a ser sua amiga, pois nem uma linha ainda tinha escrito. E já tinham passado duas semanas.

     Estava a iniciar o primeiro capítulo " Numa tarde chuvosa de Domingo...", quando tocam à porta.

    Levantou-se calmamente, e foi ver quem era. 

     - Tu? - disse Guida, mostrando nitidamente que esperava qualquer pessoa, menos a que se encontrava diante de si. 

   - Olá, Guidinha! Como estás? - cumprimentou a indesejada visita.

 

Domingo à Tarde

 

    Raul tinha sido seu companheiro, durante dez longos anos. Raramente o via, a não ser quando se lembrava de lhe telefonar a pedir dinheiro. Ainda se questionava, como tinha conseguido manter-se tanto tempo com aquela pessoa. Vai-se lá saber!

   O amor tem destas coisas.

    E era assim que se desculpava a ela própria. 

     Na esperança que a resposta fosse diferente desta vez, sim, porque a esperança é a última a morrer, mesmo com aquele individuo, Guida perguntou:

      - A que se deve a visita? 

      - Então, não me convidas para entrar? - perguntou Raul, ao mesmo tempo que ia invadindo a casa, sem lhe dar tempo para responder - continuas a coleccionar manuscritos?

      Não! Ela já não se surpreendia com o seu descaramento. Conhecia bem aquelas frases feitas, carregadas de cinismo. A sua falsidade. 

     - Vieste numa hora imprópria. Espero que a visita seja curta - disse Guida, manifestando um profundo desagrado com a sua presença - Mas afinal, o que é que queres?

   Sentia que não podia continuar a alimentar aquele visitante, e resolveu pôr fim à conversa, que nem sequer tinha iniciado. 

  - Precisas de quanto agora? - perguntou irritada - 50, 100, 200€? Quanto queres, para desaparecer da minha vista? 

   Já estava por tudo. Já nem se dava conta do disparate que estava a dizer.

    Mas porventura, precisava ela de pagar àquele homem para a largar... da carteira?

 

Domingo à Tarde

 

    Sim, porque o que ele desejava era apenas alguém que sustentasse os seus vicios, os seus delírios, a sua boa vida.

  E nem sabia por que ainda o ajudava.

    Nunca quisera trabalhar. Nunca foi o seu objetivo ser útil à sociedade.  Depois que abandonara a sua casa, voltara para a sua mãe, que também já não aguentava mais. Sabia-o, pois a senhora contatava-a diversas vezes, para desabafar. Era um autêntico "play-boy".

   E o que a irritava mais era a sua falta de vergonha. Acreditava realmente que todos tinham obrigações para com aquela pessoa. Uma, porque o tinha posto no Mundo, e ela,.. Bem, ela, porque tinha partilhado a sua cama. Que, diga-se de passagem, ele bem se deliciava. No fundo, acho que tinha sido a única coisa proveitável, naquela relação. O sexo. 

   Raul não esperava tanto, mas já que a sua ex-companheira tinha lançado um valor, aproveitou:

 

    - Hummm.... Talvez 200€, mas é só um empréstimo... Tu sabes! Isto não tem sido nada fácil. 

 

  - Sei? - perguntou ela espantada - Há! Sim, devo saber - murmurou Guida. 

 

   - Isto de começar a trabalhar, depois de muito tempo parado é difícil...("Parado? Mas o homem nunca tinha feito nada, a não ser com 17 anos, e tinha sido apenas um biscate!!!!"). 

 

   Nem o curso de arquitetura tinha finalizado, pago com muito custo, pelos seus pais. Nunca tinha dado valor ao esforço daqueles que sempre o apoaiaram. Típico!

     - E um café, não ofereces? - perguntou ele, ao mesmo tempo que a puxava para si, e lhe dava um beijo. 

Domingo à Tarde

 

      No fundo, Guida reclamava quando aquele homem aparecia, mas ele sabia que ainda mexia com o seu coração. Ou com o seu corpo. 

   Sem querer, aquele momento enfranqueceu-lhe as pernas...e a cabeça. E deixou-se levar pelas sensações de arrepio que percorreram todo o seu corpo. Adorava ser sua. Adorava estar nos seus braços quentes. As suas mãos a deslizarem pela sua cintura, tirando-lhe lentamente a roupa. Conseguia ouvir as batidas do seu coraçáo acelarado. O prazer que tinha,  e a vontade de lhe dizer "Possui-me agora". 

 

    NÂO! Ela era mais forte que essas emoções passageiras.  

    Guida afastou Raul, e disse-lhe asperamente:

       - Por favor, vai-te embora!

       - Eu sei que não é isso que queres - afirmou ele, tentando puxá-la novamente, mas sem sucesso.

    Guida sentou-se, e aguardou que ele saisse, sem proferir mais nenhuma palavra.

                                                                                                                                                                                     

Domingo à Tarde

   

Ele retirou-se, mas antes ainda lhe disse:

    - Eu volto.  

 

Raul desapareceu. Com o bolso cheio, e o sabor dos seus lábios, prova da sua fraqueza. Como fora deixar isto acontecer! 

  E ela que tinha prometido a si mesma, nunca mais contribuir para sua procrastinação. Nunca mais permitir que a seduzisse. 

     

 

      Tentou afastar aqueles pensamentos. O dia continuava. E afinal, Raul, sem saber, tinha-a ajudado a iniciar o seu segundo livro. E quantas ideias tinha!

  Sentou-se confortavelmente na sua cama, e aí ficou a tarde toda... 

 

    " Numa tarde chuvosa de Domingo, ela pensava em como inicar a história da sua vida, quando subitamente tocam á porta...."

 

Domingo à Tarde

 

                                             Continua....

 

 

 

 

Qui | 24.05.18

As 50 Fugas de Grace

Maria Grace

Grace

 

"Realmente, toda a nossa vida é uma luta e uma fuga constante à depressão e ao receio da morte, não é? E ao mecanismo que nós arranjamos para nos defendermos disso. Se a gente esgravata um bocadinho em nós próprios ou nos outros, é aquilo que acaba por encontrar, o enorme receio da solidão, do abandono (que é aquilo que as pessoas suportam pior) e da morte" . 

    António Lobo Antunes

 

      Desde muito cedo que se sentia presa naquela vida, tal como uma princesa numa masmorra. E nem se atrevia a imaginar que um dia algum príncipe poderia chegar, para resgatá-la daquele ambiente.

      Olhava pela janela do 3º andar, e nada de novo se passava. Os tempos mudavam, mas as rotinas eram sempre as mesmas. Nada se modificava, Nem para melhor, nem para pior.

   E pior não podia estar. A musica que ouvia constantemente no gira-discos era sempre igual, mais parecia um disco riscado pela ironia do destino. Que nem era o seu!

Era impossível libertar-se daquele lugar horrível, que a impedia de respirar.

 

Grace

   Mas as lágrimas que ansiavam cair dos seus olhos eram fortes que nem aço, tornando-a cada vez mais fria, mais distante ao calor que emana dos sentimentos mais profundos do ser humano.

  Regras, regras e mais regras. Impostas por aqueles que se julgavam mais que os outros. 

  Mais educados... Mais abastados... Mais cultos... Mais inteligentes....Mais sociáveis... Mais refinados. 

   E do outro lado, presa na escuridão, a que não conhecia os "mais" que caracterizavam os seus, mas sim os "menos"... Menos simpática....Menos disciplinada... Menos requintada ... Menos conhecedora... Menos tudo. 

   Por isso abraçava fortemente o individualismo, que crescia dia após dia no seu coração.

    O egoísmo estava estampado no seu rosto amargo, pelas viscitudes da vida.

     E não podia esperar de si outro tipo de sensibilidade, pois nunca lhe tinham ensinado a amar, a envolver-se, a sentir. 

   

      A única preocupação era que aprendesse a dizer "Obrigada", "Por Favor", a levantar-se imediatamente para cumprimentar as visitas, a saber o lado certo dos talheres na mesa, os de peixe e de carne, a levantar-se de imediato, para tirar os pratos, depois de um almoço ou jantar, a conhecer cegamente as "Regras da Boa Etiqueta", a sua biblia de cabeceira, cuja leitura era vital para o seu amadurecimento. 

      

 

Grace

 

 

       

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

           O seu maior desejo era fugir...fugir...quantas vezes tivesse de ser.

        Livrar-se das 50 amarras com que a tinham prendido.

       Quando se olhava no espelho, apenas via uma imagem desfigurada pelos anos perdidos, sem calor, sem amor. Não tinha hipótese. Aprendera a gostar da Solidão. 

     E agora era dificil retornar....  

 

     Acreditava que o isolamento era o melhor para uma mulher, obcecada pelo seu próprio ser.

 

Grace

 

 

A fantasia não é exatamente uma fuga da realidade.

É um modo de a entender”.

       Alexander Lloyd

    

    Não posso continuar aqui, tenho de sair deste inferno de loucos com a mania das realezas, que me impedem de ser quem eu sou. Por quanto tempo mais, terei de ser a boneca articulada, comandada ao mínimo olhar de desprezo".

     Uma marionete. Sem voz, sem opinião, sem emoção.

      Grace pensava, e até pensar lhe causava temor. Sabia que era vigiada. Sabia que por detrás da porta estavam todos. Tinham ido para a julgar, para a corrigir, para a exorcitar.

    

Grace

    Era perigoso estar naquele covil de cobras, disfarçadas de seres religiosos, devotos ao bem.

   O bem de fazer o mal. Pobres criaturas, os doentes eram eles, que tão pouco sonhavam que estavam a criar um monstro. 

 

 

"É ele, o conforto, o que mais mata os humanos. Querer estar sempre bem. Não óptimos, não eufóricos, simplesmente bem. E ter um medo louco de estar mal, de doer. É a fuga constante ao que dói que mais magoa os humanos, que mais os vai afastando da vida".

João Pedro Chagas 

 

     Se ao menos tivesse alguém junto a si, que a amparasse nos momentos menos bons, e que a levasse dali. Que lhe mostrasse o caminho para a liberdade. Uma sensação estranha percorreu o seu corpo. Como se alguém a tivesse ouvido, e a observasse sem nada dizer.

Uma voz dentro da sua cabeça que lhe dizia “ A tua força interior vai conseguir iluminar o teu coração, e fazer-te descobrir a tua própria direção “ . Sabia que era a sua oportunidade. De agarrar-se ao que tentava puxá-la.

          - Grace? São então 50? - uma voz, e desta vez não vinha da sua mente.

      Mas olhava, e ninguém via. Ainda assim, optou por responder:

        - Sim, são mesmo 50. E nada fáceis.

- E se trabalhássemos os dois apenas 10 de cada vez? - continuou a ouvir.

- Acho bem – concordou Grace - Afinal a Liberdade não se ganha...Vai-se conquistando!

 

            As 50 Fugas de Grace….

                                           Fugir para não Sentir...

 

Grace

 

    "O homem vive de ilusão. É o pão nosso de cada hora. As almas sobem como fumo: a busca do ideal é a fuga aos desgostos da vida real, quando menos bem compreendida; é um instinto de defesa, que solicita o homem a robustecer-se com nobres visualidades; é enfim, o progresso espiritual e moral da consciência. A ilusão é fecunda”

      

         Antero de Figueiredo

 

 

 Nota Minha...

Dedicado a todos aqueles que lutam diáriamente,

para conseguirem libertar-se dos seus medos, fantasmas, tormentos, e

que à custa de muita força de vontade, conquistam o caminho para a Felicidade...

Existe sempre uma porta de saída, para uma Vida sem pesadelos...

Só muitas Alegrias 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sab | 19.05.18

Amanhã é outro Dia...

Maria Grace

Lar

 

          Eu vou me confessar.....

         O meu dia já conheceu diversos momentos favoritos, ao longo dos anos.

   Já foi o pequeno almoço, depois de 1 hora de trabalho, bem trabalhada. Um apetitoso croissant quentinho, acabado de sair do forno, com fiambre, ahhhhhhh.... acompanhado de um saboroso galão, no café em frente.

    O que eu me refastelava... 

    Houve uns meses que chegou a ser o próprio período de trabalho, quando há um tempo atrás me colocaram num departamento, em que mais descansava do que laborava.

      Mas agora...Ai agora... É quando chego ao meu lar, descalço os sapatos, visto as calças de treino e vou passear. Arejar as ideias que ficaram presas durante 10 horas na minha mente. Soltar a “ervilha”. 

   

Lar

 

  É quando me sinto em Paz.

  Quando finalmente respiro, sem pressas.

Quando tenho todo o tempo do Mundo para pensar, e fazer planos, e rabiscar num papel projetos diários, semanais, mensais, anuais já mais dificil. 

 

    E depois do passeio.

   A casa, o PC, o jantar e a cama.

Lar

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

 

     O esticar as pernas. O ver um pouco de noticias, para não me descultivar.

 

   A conversa de final do dia:

 

   - Então, querida, como correu hoje? - pergunta o José.

   - Passou-se. Amanhã recomeçamos novamente - respondo eu, ao mesmo tempo que faço zapping na TV, pois já não consigo ouvir sempre a mesma conversa.

 

    "Bruno de Carvalho" na Sic Notícias, "Bruno de Carvalho" na TVI 24, "Bruno de Carvalho" na CMTV, "Bruno de Carvalho" na RTP3. O Senhor é mesmo BOM! Está em todas....

  CHEGA!!!

  Resolvo ver "Presos no Estrangeiro, no National Geographic, ou o "Preço da História", no canal História. Pelo menos é mais interessante. 

    Mas claro, passados 40 minutos já estou mais para lá, do que para cá.

  Já sinto os olhos a querem fechar-se. E o Hatch a ganir para eu fechar a luz, pois quer fazer Ó-Ó.

    Pronto.

    Eu faço-te a vontade.

    Desligo a luz, dou um beijo ao José, viro-me para o lado, e passados segundos já estou no Mundo dos Sonhos! 

 

Lar

 

 

   

 

 

    

Qui | 17.05.18

Bolas!!! Eu não me chamo Max!!!!!

Maria Grace

Max

 

       "Mas porque todos me chamam Max? Nem tenho um colete com K9 escrito!

       Na volta estou de serviço à comunidade, e nem sei!"

     Reflexões de um Pastor Alemão, num dia, em que mais valia nem ter saído de casa.

     Cada vez que vai com o seu dono, acredita que finalmente chegou o seu momento de prazer, a sua vez de divertir-se.

     Afinal, os donos vão brincar o dia todo, para o trabalho!

   Presumo que seja isto, que o meu cãozinho supõe, pois quando chegamos a casa, e o levamos à rua, saí do prédio desalmado, como se o Mundo fosse todo dele.

   Como quem diz " Agora sou eu!

     Mas a hora do Hatch é a hora do Hatch!  É nessa altura que pode desfrutar dos cheiros das flores, ( nunca vi um cão cheirar tanto, eh, eh!) correr livremente atrás dos pombos

(o seu passatempo preferido), fazer os seus xixis de quase 5 minutos, mas sempre observando tudo à sua volta.

  

         Mas nem sempre se pode ter um passeio em sossego, e aquele dia foi um deles.

       Primeiro uma longa caminhada, em que quem fica estafado não é o cão, mas sim o dono do cão, de tanto ser puxado. Quando ainda não está cansado, não há ninguém que o pare.

    Não é o dono que passeia o Hatch. O Hatch é que passeia o dono. 

 

Max

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

         Depois, o descanso numa esplanada de um café, antes de voltar a casa. 

 

Max

    E achava mesmo que aquele dia estava a ser perfeito, a sentir o calorzinho do Sol, quando várias crianças, provavelmente vindas de alguma atividade extra escolar, resolvem parar mesmo à sua frente.

 

"E pronto, alguém já me tirou Sol!" pensou.

 

 

 

     Olhou para cima e quase ficou em choque com o alarido que os miudos faziam, todos ao mesmo tempo:

 

              - É o Max! Max, anda Max!!! - diziam duas ou três.

       

           - Pois é! Olha o Max! Aqui. Max! " - concordavam quatro ou cinco.

 

          "O que é isto? Será que estão a fazer algum anúncio ao gelados da Olá?

 

           E só conseguia ouvir o zumbido "ax,ax,ax" na sua cabeça. Já estava a ficar doido!

          E claro, incomodado com aquelas abelhinhas, resolveu emitir aquele som próprio dos canitos chateados, que eu sei que é só barulho, mas os outros não, e vindo de um Pastor Alemão, imaginam, não é?

 

   Mas ele apenas estava a dizer " Não me chamem Max!"

   

Max

    "Rrrrrrrrr...Rrrrrrrrr" 

 

 

    CARAMBA!!!

 

 

    Ferrõezinhos para que te quero.

 

   E o nosso amigo voltou a deitar a cabeça, despreocupado de tudo.

 

 

 

 

   Mas mal sonhava, que não ia parar por aí.

 

             Depois daquele descanso atribulado, e antes de voltar ao lar, acompanhou-nos  ao supermercado. Mas sempre a ver se aquelas pequenas abelhas, não apareciam novamente. 

 

Max

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

       

  Chegados ao supermercado, tivemos que o prender lá fora, pois o Hatch é um doce de cão, sem dúvida, mas teimosoooooo como nunca tinha visto igual. São realmente uns queridos, mas a manipulação.... em cão. 

 É impensável deixá-lo à porta, e dizer "FICA". 

 Ó Fica...!!!!!!

      " Fica aqui tu se quiseres!"  Pensa ele. E não fosse entrar disparado pelo estabelecimento dentro, à nossa procura, assustando tudo e todos,  optámos por prendê-lo. 

 

         Fizemos as nossas compras, pagámos e quando íamos a sair,  a cena que assistimos foi .

Surreal!

             O senhor polícia que costumava fazer serviço no supermercado, à porta, de frente para o Hatch a chamá-lo:

 

            - MAX!  MAX! Olha... Max! ... És muito giro Max! MAaaaaxxxxx!

 

    E o Hach indiferente, deitado, à nossa espera, devia estar a pensar que o Sr. Polícia não estaria a sentir-se bem. 

 

  Eu passei pelo senhor agente, que me disse prontamente:

 

          - Muito bem treinado! Sim senhor! Não dá troco a desconhecidos! Gostei de ver! 

 

    E eu..... perdida de riso..... respondi de imediato, ao Sr. Guarda, muito educadamente. 

 

           - Ele não liga, não é por estar bem ensinado.... Mas é porque o nome dele não é MAX! 

  

  Quando nos viu, parecia que não estávamos juntos há anos. Ehhhh! Que grande algazarra! 

 

  Eu percebi logo, o animal estava desejoso de sumir daquele sítio.

 

Muitos Maxes para um cão só! É Dose!

 E coitado do animal, nunca chegou a saber quem é o ilustre Max, que todos lhe chamam. 

Que Dia!

Max

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                

Max

 

 

Max

 

Ter | 15.05.18

Escrever....Para não Esquecer....

Maria Grace

 

Desistir

 

 

       Para ser sincera, confesso que muitas vezes questiono- me "para quê" ou "para quem" escrevo. Porque perco tanto tempo a criar frases, que resultam em textos, que saiem dos meus pensamentos, mas que não chegam a ninguém. Não ajudam ninguém. "Dizes tu!" ouve-se uma voz lá do fundo do corredor, que tenta alcançar o meu entendimento, com a finalidade de me pôr a refletir.

    Chego à conclusão que escrevo para aliviar a alma, talvez para me ouvir, quando muitas vezes não me ouvem, porque amo dar azo à imaginaçào e deixar me levar para o Mundo da Alice, que neste caso seria o Mundo da Maria Grace. E  porque existirá sempre alguma alma que se identificará.

     Mas o pontito de interrogação está lá, e não arreda pé, como se costuma dizer.

     Porque a desmotivação por vezes é tanta, a falta de confiança, que permito ir me abaixo e quase desistir. Porque quando dou por mim estou só, sem linhas escritas, sem falas e sem plateia.

    Um dia disseram me: " Ninguém quer saber de tristezas, de lamúrias, de mau estar". Sim, vero meu caro, mas a alma nem sempre está alegre! Há umas horas atrás, estava eu a almoçar,  quando passou por mim uma mulher a chorar convulsivamente, agarrada ao telefone. Que sensaçao má eu tive naquele momento, como se de repente tivesse colocado o meu coração junto ao dela, e sentisse a sua dor. Tive um desejo enorme de lhe dizer " Calma, vai passar".  

Desistir

 A tua história vai se resolver, e a tua alma vai sorrir novamente. Como vêem, todos temos os nossos dias menos felizes. 

    Por vezes tenho receio daquelas linhas extra que autorizo que passem para o papel, sem antes terem sido editadas, reavaliadas pela sensatez. Dou um pouco mais de liberdade ao meu lado insano, concordando que este respire um pouco, mas logo me arrependo. 

  

        Sei que posso parecer deveras contraditória, aos olhos dos que me lêem, pois ora sou uma Alma alegre, promovendo a confiança, o optimismo, a felicidade, mas num virar de página, sou a personagem principal de uma novela deprimente. . 

Desistir

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

    São Histórias da Alma. Quem não as têm? 

    E como a maré, são 7 fases deprimentes, para 7 fases excelentes.

   E o que parece desanimador, de repente eu consigo transformar em contagiante. 

   É só querer....

Caramba! Tantas horas de sono perdidas, durante cinco anos da tua vida, aprendendo a relatar, a comunicar, a contar histórias, para desistir agora! 

Desistir

 

   Para virares costas aos teus sonhos! 

    E como que por mera coincidência, hoje vi uma luz ao fundo do túnel, através de umas quantas linhas preenchidas de histórias reais, que me encheram a alma de energia e confiança. E comecei a acreditar. Sim....

   Eu náo posso desistir das minhas memórias, boas ou más, das aventuras por que passei, pois sem mim morrem sem nunca terem sido partilhadas. Acabam por desaparecer num armário, por baixo de outras folhas, outros livros. Somem no tempo, sózinhas.  

    Eu tenho que continuar a escrever mais e mais, sem nunca perder aquele entusiasmo que sempre me moveu... Aquele apetite voraz que sempre tive por criar, por imaginar. Eu tenho de escrever....Para não Esquecer!  

 

Desistir

 

 

"Escrevo sem pensar, tudo o que o meu inconsciente grita. Penso depois: não só para corrigir, mas para

justificar o que escrevi".

           Mário de Andrade

 

 

      

 

 

Dom | 13.05.18

Boa Noite Almas!

Maria Grace

 

Boa Noite

 

Boa Noite Almas! 

É noite. A noite é muito escura. Numa casa a uma grande distância 
Brilha a luz duma janela. 
Vejo-a, e sinto-me humano dos pés à cabeça. 
É curioso que toda a vida do indivíduo que ali mora, e que não sei quem é, 
Atrai-me só por essa luz vista de longe. 
Sem dúvida que a vida dele é real e ele tem cara, gestos, família e profissão. 

 

 

Mas agora só me importa a luz da janela dele. 
Apesar de a luz estar ali por ele a ter acendido, 
A luz é a realidade imediata para mim. 
Eu nunca passo para além da realidade imediata. 
Para além da realidade imediata não há nada. 
Se eu, de onde estou, só veio aquela luz, 

 


   Em relação à distância onde estou há só aquela luz. 
O homem e a família dele são reais do lado de lá da janela. 
Eu estou do lado de cá, a uma grande distância. 
A luz apagou-se. 
Que me importa que o homem continue a existir?

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos" 
Heterónimo de Fernando Pessoa

Dom | 13.05.18

Carta a Deus....

Maria Grace

 

Carta

 

 

 

Querido Deus, por vezes sinto-me tão vazia que duvido até da minha própria existência. Vivo o possível, e desejo o impossível. Procuro algo, mas nem sei bem o quê, Amor, Paixão, Segurança, ou algo tão simples como a Felicidade. Para mim a vida é uma mentira, uma ilusão, e um erro.

Um grande erro.

Carta

 

Há tanto tempo, que a minha Alma caminha perdida, navegando ao sabor da maré social, onde os “peixões” predominam, e fazem sentir o seu poder, reduzindo os mais pequenos à sua miserável vida. Fazem questão, e muitos até têm prazer de abafar as qualidades da arraia miúda, com receio de poderem vir a ser alguém. Os coitados já não existem… Resistem.
Inexplicavelmente tendo a ir ao encontro do Escuro, das Trevas, do Incógnito.

 

 

Carta

 

A grandeza da multidão fere-me, e por isso tento fugir dela.

A solidão conforta- me. Dá-me paz. Sei que um dia vou-me curar. Mas agora, nada nem ninguém habitam o meu pensamento. Só um ressoar muito fraco de sons, que tentam me puxar para cima, mas que ignoro por completo. 

Questiono-me se algum dia irei encontrar-me no meio da minha insensatez, estupidez e loucura?

 

Carta

 

O meu ser apenas se sente em Paz numa zona de conforto mental, criada para não deixar entrar os demónios da alma, aqueles sugadores da pouca energia que ainda me resta. Mantenho-a protegida de tudo o que possa afetar o meu equilíbrio emocional, mas por vezes é tão penoso. Sei que a dor é inevitável ao meu crescimento, mas Meu Deus, ajuda-me…. Não me abandones.... Não me entregues ao meu delírio, que anseia por me consumir.

Carta

 

 

Sei que me acompanhas sempre, e agradeço-te por teres aberto sempre os meus olhos, quando estes queriam se fechar, e teres falado ao meu coração, quando este desejava parar de bater. Sei que nunca permitiste que tocasse no fundo, embora tantas vezes estivesse tão perto do chão. De alguma maneira, sinto que a tua força me impede de desistir de respirar.

 

Carta

 

Sei que existe uma razão para ficar, e gostava mesmo de saber qual é. Mas também entendo que necessito de descobrir sozinha, e que nessa jornada nunca me irás abandonar.

 

Carta

 

 

Escrevo-te, pois já não me alcanço, não consigo fazer-me ouvir. EU TENTO...

 Mas confesso que não me esforço o suficiente, para me libertar das grades que aprisionam a minha Alma...

 

 

P.S. - Deus meu, ainda te amo, por isso confio…”

 

Carta

 

 

 

Sab | 12.05.18

O Nosso Império....

Maria Grace

 

Desistir Nunca

 

 

 

"A lição é a seguinte: nunca desista, nunca, nunca, nunca. Em nada. Grande ou pequeno, importante ou não. Nunca desista. Nunca se renda à força, nunca se renda ao poder aparentemente esmagador do inimigo..."

                                                                                                            Autor  Desconhecido

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sab | 12.05.18

TIC - TAC! O relógio não pára para nós....

Maria Grace

  

Tempo

 

 

  

"Você descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto".

 

William Shakespeare

 

          A saudade tipica portuguesa. O viver abraçado ao passado. O desejo constante que o tempo volte atrás. Os momentos bons, que gostaríamos de reviver. Adorava ter uma máquina do tempo, e acho que seria um excelente investimento. Colocava-a na minha sala de estar, e todos os dias programava-a para o ano de 1998, quando te conheci. Lembras-te? 

    Mas o tempo não volta atrás, fisicamente, e essa impossibilidade gera em mim, uma sensação de frustração, de tristeza, e de fracasso. Se pudesse, ai se pudesse, se me fosse dada essa oportunidade! O que nunca tinha feito, o que nunca tinha dito, apagava momentos que não eram necessários, como as pastas que já não precisamos, no nosso computador. Ai, seu eu conseguisse, por dias, horas, ou até minutos ....  regressar. 

Tempo

 

    

     Todos os dias tento alcançar o tempo que não gastei, mas ao chegar ele desvanece-se diante dos meus olhos. De escadas é muito difícil, muito custoso,e demorado. Nunca conseguirei sentir o mesmo, viver o mesmo. PORQUÊ!!! Eu quero uma Máquina do tempo para me levar daqui em segundos! 

   Porque cometemos erros, porque somos tão imperfeitos? Porque nos são apresentadas as más escolhas, no percurso da nossa vida.  Porque temos sempre vários caminhos, e não apenas um.

O correto. 

Tempo

   

 

 

    Odeio-me por isso, por muitas vezes não ter sabido escolher o que era o correto para mim, por  não ter parado para pensar, antes de falar, por não ter olhado para trás a tempo, para ver o que estava eu a construir ou a descontruir, e ter optado por seguir em frente de olhos vendados.

   

Tempo

 

 

 

 

   Tantos tempos que não voltam, tantas horas criadas durante anos, e mortas em minutos por falta de coragem, por não ter dito à minha rebeldia, à minha imaturidade, à minha estupidez "NÃO". 

 

 

      Mas acredito que não deva ser a única, a ter este desejo.  Não sei o que diga a essas pessoas, pois neu eu própria me consigo aconselhar. É deixar ir, deixar andar, na esperança de melhorar o nosso tempo, aquele que ainda nos resta. 

 

 

Pág. 1/2